Donzela – Filme Netflix



Olá, meus queridos leitores!

Hoje vamos falar do polêmico filme Donzela, que estreou em 08/03/2024 na Netflix, bem no dia internacional das mulheres. Estou vendo muitas pessoas criticando que o filme é raso, que é um sensacionalismo feminista e que as mulheres não se identificariam porque a princesa se acaba toda mas continua com a maquiagem intacta. Bom, a minha opinião diferente, se você não tem medo do diferente ou dos spoilers (porque eu preciso comentar cenas específicas), fica por aqui que vai ser sucesso.


1. Os homens são apenas coadjuvantes, NPC (personagem não jogável) e os vilões nessa história e isso ofendeu muito projeto de homem por aí. Mas vocês esperavam o quê num filme sobre uma mulher no dia das mulheres?
Enfim, os personagens masculinos se resumem ao príncipe (que é um NPC manipulado pela mãe e pelo medo), um rei – pai do príncipe (que tem uma ou duas falas) e o rei pai da princesa. Para cada um deles tenho alguns comentários:

– Rei pai do príncipe: o cara realmente existe? Porque ele se esconde e finge que não;
– Príncipe: coberto de medo, ao invés de ser o protagonista da sua própria história ele joga princesas ao dragão! Ai mas ele ficou com remorso, mas isso não muda em nada a história. Inclusive fiquei bem feliz com o final dele.
– Rei pai da princesa: ele simplesmente vende a filha para ser morta em troca de ouro dizendo que era pelo bem do povo, e ele não foi o primeiro e nem o único a fazer isso, mostrando o quanto a mulher, ainda, é moeda de troca. Se arrepende e vai lá tentar salvar a filha, mas encontra um destino cruel e uma “redenção” ao se sacrificar por ela. Cara, você é a causa disso tudo! Só aceita!


2. A rainha é má e a madrasta é boa. Amei! A rainha (mãe do príncipe) é aquela que manipula e controla todo mundo ao seu redor, mostrando que o poder é dela e por isso ela pode controlar a narrativa. A madrasta da princesa é a única que percebe o quanto as coisas estão erradas, tenta avisar mas acaba não sendo ouvida e é, advinhem? SILENCIADA PELO MARIDO. Tá passada? Eu não. E gostei de como esse ponto casa com o que vamos ler no ponto 3, sobre sororidade.

3. Quando está no covil do dragão, a princesa descobre que tantas outras foram jogadas ali para pagar uma dívida secular. E enquanto caminha pelo labirinto do terreno, ela vai encontrando mensagens deixadas pelas outras indicando lugares seguros, um caminho para a saída, os desafios que ela iria enfrentar e etc. Tudo isso ajuda com que ela consiga encontrar esperança e tenha uma jornada um pouco mais fácil. E isso é sororidade. As que vieram antes dela batalharam muito para que ela tivesse uma situação um pouco mais favorável e ela faz o mesmo para a próxima geração (sua irmã) ou então quando interrompe o casamento com a próxima princesa e dá tempo da menina fugir, assim como também a madrasta tenta aliviar o futuro dela.

4. O Dragão é A Dragão, sim, é uma fêmea. Assim como temos os homens como vilões, também temos o protagonismo das mulheres/fêmeas vilãs que são a rainha e a dragão, mostrando que a mulher não só vai nadar num mar cheio de tubarões machos mas como também vai encontrar aquelas que não acreditam no feminismo e que não precisam dele. Pois é, eu sei, difícil acreditar mas existem.

5. O motivo disso tudo é a morte dos últimos dragões bebês (fêmeas) pelo rei conquistador inicial. Primeiro ele diz que é para salvar seu povo, já que comenta que a dragão atacava o vilarejo e, em busca de paz, ele foi caçar a dragão mas matou seus filhotes para tornar isso mais fácil. Em um pacto, ele precisaria entregar 3 princesas para a morte em todas as gerações e a dragão não iria se vingar no vilarejo. O reino cresceu e espandiu nessa história, até que descobrimos que o rei atacou a dragão sem motivo algum, a não ser o desejo masculino de ser territorialista, de expansão do que é seu e de aniquilar tudo no caminho para conquistar isso. Mas como sabemos a verdade? Veja o ponto 6.

6. A história também mostra a importância de prestarmos atenção, de cuidarmos dos detalhes, de ouvir a história do outro. Afinal, é assim que a princesa consegue perceber que as 3 vidas foram tiradas e que deveriam ser vingadas pela própria linhagem. Ela escuta o que a dragão tem a falar, ela presta atenção na história das suas antecessoras, ela cuida dos detalhes. Mulheres fazem isso o tempo todo.

7. O vestido e a maquiagem, e esse é um ponto importantíssimo. Ela é jogada com as roupas do casamento no abismo e precisa batalhar assim. A sociedade constantemente nos joga nos abismos da vida e precisamos matar nossos leões em cima do salto, com classe e elegância. Nos cobram que estejamos perfeitas, o cabelo sempre arrumado e comprido, e que lutemos com todas as nossas forças. No meio do caminho acabamos precisando usar as armas que encontramos no caminho para sobreviver e aprendemos a usar rapidamente o ambiente a nosso favor. Somos flexíveis e adaptáveis. No final, o vestido da princesa estava um trapo, todo picoteado, curto e vermelho. Para mim isso mostrou a sua evolução, de como entrou menina e saiu uma mulher, forjada pelas cicatrizes da vida e pronta para conquistar o que era seu por direito.

8. Vamos falar da maquiagem? Muita gente comentando que o filme teve como alvo o público feminino mas como as mulheres do dia a dia iriam se identificar se, dentre todas as coisas, a princesa sai da batalha linda, plena e maquiada? Gente, aí tá uma crítica sutil do ponto que vimos acima. O filme é, antes de mais nada, um produto a ser vendido e pra isso a mulher tem que estar sempre linda, plena e maquiada! Simples. A sociedade ainda é podre nesse quesito.

9. A dragão, apesar de ser livre, escolhe viver em sua própria prisão. Ela é maior do que todos, mais forte, mais poderosa, mas vive oprimida pela sociedade ao seu redor, entrando em seu próprio abismo e cavando cada vez mais. Ela se diminui para caber porque isso lhe foi imposto de maneira tão forte que ela acaba acreditando.

10. No final, a princesa e a dragão viram amigas e decidem colocar tudo abaixo! Esse é o poder quando as mulheres se unem, elas são capazes de libertas aquelas que estão sendo oprimidas, dar voz para quem quer falar, dar espaço para que conquistem seus próprios caminhos. E como redenção ao coração ferido da dragão, ela mata o rei, a rainha e o príncipe. Três lhes foram roubadas, três deveriam pagar e assim acontece, encerrando assim um ciclo de ódio, manipulação, dor e sacrifícios. Devemos juntas combater nossos inimigos, não para sermos superiores a ninguém, mas para mostrar que não vamos nos calar e que não vão nos jogar de abismos e enterrar nossos sonhos e esperanças.


Se depois de ter lido tudo isso você ainda achar que foi um filme superficial e sem sentido, tudo bem, eu respeito a sua opinião e agradeço por ter chego até aqui, mas isso não invalida a minha.

Me conta, sem papas na língua, o que você achou do filme?

6 respostas a “Donzela – Filme Netflix”

  1. Avatar de
    Anônimo

    Olá,

    Amei a descrição do Filme, senti a mesma perspectiva.

    O engraçado que acho que alguns homens não entenderam a mensagem do filme, mas eu amei!

    Continue com suas postagens, amo seu conteúdo!

    Curtido por 1 pessoa

    1. Avatar de Thannyth Carneiro

      e são os que mais deveriam entender né? obrigada pelo carinho, espero te ver mais por aqui!

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  2. Avatar de
    Anônimo

    Inspirador toda a descrição do filme! Amei!

    Curtido por 1 pessoa

    1. Avatar de Thannyth Carneiro

      obrigada!! o filme é muito bom

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  3. Avatar de
    Anônimo

    assisti esse filme ontem e eu amei! Amei tanto, que quero assistir novamente.
    Concordo com o que você escreveu!
    parabéns pela analogia assertiva! (para mim)

    Curtido por 1 pessoa

    1. Avatar de Thannyth Carneiro

      obrigada! deu até vontade de assistir de novo hahaha

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