Rainhas Africanas – Zninga

Imagem da internet

A série Rainhas Africanas – Zninga está atualmente na Netflix e conta com apenas 1 temporada e 4 episódios. Nela acompanhamos a vida de Zninga, a Rainha Africana que teve seu reinado reconhecimento mundialmente e lutou bravamente contra a conquista portuguesa.

Para mim assistir a série foi incrível. Ela veio através de uma indicação de um grupo de seriadores que eu participo e não poderia ter sido mais certeira, já que eu amo um documentário.

Sabemos que a história sempre possuio 3 versões: o lado A, o lado B e a verdade, mas cresci acompanhando apenas o lado europeu nas escolas então ter acesso ao lado africano foi realmente interessante.

Durante a série vemos que Zninga era a filha mais querida do rei do Ndongo (atual Angola) e quando ela nasceu já havia o trafico negreiro dos portugueses em seu reino, então desde pequena ela aprendeu a lutar como uma grande guerreira mas também em servir ao seu povo como uma princesa diplomata, sendo muito educada, astuta e estrategista.

Com a morte do seu pai, seu irmão Amabande assume o trono e elimina todos os possíveis herdeiros que colocariam em prova o seu reinado, inclusive o filho de Nzinga (que ainda era um bebê), menos suas irmãs que ele não via como uma ameaça.

Atordoada com a morte do filho, Nzinga demora em voltar a servir ao reino, mas sempre ao lado de sua conselheira e da promessa de que seria a salvação de Ndongo, ela assume como embaixadora e mostra ao governador português da época toda sua astúcia na busca pela paz.

Depois de fazer grandes sacrifícios para chegar a um acordo (como aceitar ser batizada no cristianismo) ela volta para casa. O acordo de paz não durou muito tempo e ela vê que seu irmão já não tem mais forças para continuar governando Ndongo e aqui há debates entre os hitoriadores se ela teria ou não o ajudado a se envenenar.

Nzinga finalmente assume como rainha regente e precisa se aliar aos imbalagas para encontrar um exército, e assim ela o faz, mais de uma vez.

Muita lutas se passam, suas irmãs são presas e libertadas enquanto ela continua tentando proteger seu povo e também o de Matamba, de quem se apossa do reinado como guerreira. Chega um ponto em que ela não consegue mais conter a atrocidade que vem acontecendo na África como um todo, mas continua reunindo todos os seus esforços para defender seu povo e sua cultura, até o momento em que acaba sendo reconhecida pelo Papa da época como Rainha de Ndongo e Matamba.

Já de idade avançada, cerca de 81 anos, Nzinga morre em paz e deixa seu reino para sua irmã mais nova que governa com a mesma sabedoria.

Essa série é fora da curva não apenas pela história que carrega, já que é contada por historiadores e se mistura à dramatização para entendermos melhor. Ela conta a visão de um povo que teve sua voz calada durante séculos! Conta a origem de pessoas que eram roubadas de suas terras para serem escravizadas no Brasil, que era a colônia mais rica daquela época, então também conta um pouco da nossa história como brasileiros. Somos uma mistura de muitas culturas mas acabamos sempre focando na europeia quando, na verdade, temos em nossa raíz um povo forte, culto e inspirador.

Nzinga foi uma mulher sábia que mostrou o que uma verdadeira líder deve ser. Ela era dona de uma inteligência emocional descomunal, força, habilidade em combate, estratégia, aprendia culturas paralelas com facilidade para saber se misturar e se adaptar, era versada na comunicação e acima de tudo ela amava o seu povo e o servia com tudo o que tinha, dedicando toda sua vida para isso.

Ela viveu entre meados de 1500 – 1600 e até hoje seu legado inspira a muitos, isso sim é viver todo o seu potencial e alcançar o seu propósito. Caramba, essa série é de arrancar muito mais do que lágrimas e revoltas, é sobre se reencontrar, sobre ser fiel a si mesmo, sobre ver a beleza de uma cultura que tantos tentam abafar.

Esse é um documentário sobre nós.


Encontrei diversas formas de escrever o nome da Zninga, Ambande e Ndongo e também peço que, caso haja qualquer incoerência com o documentário apresentado na Netflix, me repassem para correção. Obrigada.

Deixe um comentário